O pânico da natalidade em Berlim: menos alemães no futuro?

O pânico da natalidade em Berlim: menos alemães no futuro?

Der Spiegel

05/08/2009
Estatísticas recém-divulgadas sugerem que a Alemanha apresenta a menor taxa de natalidade de toda a União Europeia -um número que está caindo. Com os temores do impacto do encolhimento da população sobre da economia, não é de se estranhar que a ministra da Família alemã esteja contestando os números.

Os alemães não gostam de ficar em último lugar. É um estereótipo nacional, mas é um particularmente verdadeiro para Ursula von der Leyen, a ministra da Família alemã, quando se trata da taxa de natalidade na Alemanha. Os números divulgados nesta semana pela Eurostat, o órgão estatístico da União Europeia em Bruxelas, parece indicar que a taxa de natalidade da Alemanha é a menor dentre todos os 27 países membros da UE. E agora há uma pequena briga entre Bruxelas e Berlim, com Jens Flosdorff, um porta-voz do Ministério da Família alemão, alegando que os números do Eurostat estão “errados ou datados”.

  • Kai Pfaffenbach/Reuters

Um relatório divulgado na segunda-feira pela Eurostat diz que para cada mil habitantes na Alemanha, apenas 8,2 crianças nasceram em 2008. O que indica uma queda de 0,1% na taxa de natalidade alemã e torna a Alemanha o único país membro da UE no qual a taxa bruta de natalidade não aumentou entre 2007 e 2008. A taxa bruta de natalidade para os 27 países da UE é de 10,9 nascimentos por mil pessoas, com a Irlanda apresentando o índice mais elevado, de 16,9, e a Lituânia o maior aumento na taxa de natalidade.

O Escritório Federal de Estatística alemão não divulgará oficialmente seus próprios números sobre população para 2008 até setembro. Mas o escritório já indicou que espera que o número para a quantidade de crianças nascidas na Alemanha no ano passado seja de 682.524; o estudo de Bruxelas está trabalhando com um número de 675 mil.

O que significa que a taxa de natalidade alemã é na verdade relativamente estável, em 8,3 nascimentos por mil habitantes. E apesar de ser verdade que cerca de 2.300 menos bebês alemães nasceram em 2008, Flosdorff disse à “Spiegel Online” na segunda-feira que, do ponto de vista estatístico, a diferença seria de “décimos de um ponto percentual” e portanto “não significativa estatisticamente”.

Talvez essa reação do Ministério da Família seja previsível. Em fevereiro, o ministério divulgou seu Relatório da Família 2009, alegando que a taxa de natalidade alemã estava aumentando. Trabalhando com base em uma estimativa do Escritório Federal de Estatística, ele notou que a expectativa era de que os nascimentos em 2008 subiriam para 690 mil. E sendo a política que pressionou por mais creches e pelo “Elterngeld” (literalmente “dinheiro para os pais”) -onde o Estado paga aos pais quase 70% da renda líquida dos pais por até um ano caso decidam se licenciar do trabalho após o nascimento de seu filho- Von der Leyen foi rápida em reivindicar a responsabilidade pelo estímulo ao aumento da natalidade. Mas na política, o orgulho frequentemente aparece antes da queda, e após políticos de oposição atacarem Von der Leyen, dizendo que seu principal talento era a publicidade e que ela não fez nada a respeito da pobreza de crianças na Alemanha, o Escritório Federal de Estatística também revisou seus números, o que resultou em uma taxa de natalidade mais baixa do que aquela da qual Von der Leyen se gabava.

Os números mais recentes da Eurostat são apenas outro golpe. Somada à taxa de natalidade “estável” vem um aumento na taxa de mortalidade alemã, que subiu de 10,1 mortes por mil habitantes para 10,3 em 2008. Isso torna a Alemanha o país com a maior taxa de mortalidade entre os países da UE. E, segundo a Eurostat, também significa que a população do país encolheu em 168 mil.

Enquanto isso, o Escritório Federal de Estatística alemão estima que a atual população do país, de 82,1 milhões, encolherá para entre 69 milhões e 74 milhões até 2050 -menos do que a população em 1963, quando a Alemanha tinha 75 milhões. Isso poderia ter implicações sérias para a economia do país: uma combinação de baixa taxa de natalidade, alta taxa de mortalidade e expectativa de vida maior significa menos pessoas em idade de trabalho apoiando o sistema de seguridade social financeiramente exigente da Alemanha.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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