Justiça condena três médicos do caso Kalume em Taubaté

 

Justiça condena três médicos do caso Kalume em Taubaté

Condenados a 17 anos e seis meses de prisão, réus são acusados de retirar rins de pacientes ainda vivos para usá-los em transplantes

iG São Paulo | 21/10/2011 01:18 – Atualizada às 07:42
 
 
 
Os três médicos acusados de terem retirado os rins de quatro pacientes ainda vivos para usá-los em transplantes particulares em Taubaté, no interior de São Paulo, foram condenados na noite de quinta-feira (20). O corpo de sete jurados, formado por quatro mulheres e três homens, condenou , Rui Noronha Sacramento e Pedro Henrique Masjuan Torrecillas a 17 anos e seis meses de prisão. No entanto, os réus poderão recorrer em liberdade.
A sentença foi lida após quatro dias de julgamento e cerca de 40 horas de debates. Desde as 15h40, os sete jurados  estavam reunidos para responder às 60 perguntas formuladas pela promotoria e pela defesa: 20 para cada um dos acusados. A primeira delas questiona se as vítimas foram submetidas à extração dos rins sem a efetiva constatação de morte encefálica. Caso os jurados optassem pelo “não”, o réu é absolvido. Se “sim” fosse maioria, o juiz faria a pergunta seguinte. No intervalo após o fim dos debates, o clima entre os réus e familiares era de tranquilidade.
Caso Kalume

O caso ocorreu em 1986 e ficou conhecido como Kalume em referência ao médico Roosevelt Sá Kalume, autor das denúncias e diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Taubaté na época. Fiore, Sacramento e Torrecillas são acusados de quatro homicídios dolosos contra os pacientes Miguel da Silva, Alex de Lima, Irani Gobo e José Faria Carneiro.

Depois da operação, o neurocirurgião e legista Fiori concluía como causa da morte exclusivamente as lesões cerebrais experimentadas pelas vítimas (traumatismo craniano, raquimedular ou aneurisma), ocultando a causa direta e eficiente das mortes: a retirada dos rins dos pacientes. Eles continuaram exercendo a profissão por terem sido absolvidos pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e pelo do Conselho Federal de Medicina (CFM).
 
 
 

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