Misterios do Cerebro – evitar danos ao sistema nervoso

Controlar o estresse é essencial para evitar danos ao sistema nervoso. As técnicas de respiração permitem aumentar o bem-estar.

misterios do cerebro


RESPIRAR


Roteiro de relaxamento progressivo e respiração diafragmática


Informações:

Elaborado por José Roberto Leite, psicólogo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)


Este roteiro servirá para seu treinamento individual, devendo ser realizado preferencialmente todos os dias. Trata-se de um roteiro de exercícios que você deverá aprender a realizá-los de forma o mais automaticamente possível, para utilizar nas situações em que se fizerem necessários (ao se sentir tenso, ansioso, com insônia etc.).


Aprenda a realizá-lo na posição deitada, inicialmente, e posteriormente na posição sentada. Repita cada movimento por 2 ou 3 vezes. Cada movimento deverá durar cerca de 10 segundos. Procure perceber o melhor possível, o estado do músculo que você estiver tensionando ou relaxando. Procure não pensar ou se preocupar com coisa alguma. Apenas se concentre na atividade de relaxamento.


Focalize sua atenção em sua respiração ou nas regiões do seu corpo com as quais você estará lidando durante o procedimento.


1. Sentado confortavelmente, com as mãos apoiadas nas coxas e pernas ligeiramente afastadas, e as palmas das mãos voltadas para baixo, ombros relaxados, feche os olhos e respire tranqüila e profundamente. Procure efetuar os movimentos respiratórios de tal forma que haja pouco movimento toráxico (movimento do peito) e mais movimentos abdominais (movimento de barriga). Ao inspirar, expanda o abdômen (encher a barriga) e ao soltar o ar, sinta sua barriga como que esvaziando. Procure manter sua atenção focalizada nos movimentos respiratórios. Na inspiração, conte mentalmente 4 tempos (tempo subjetivo), retenha o ar por 2 tempos e expire durante 5 tempos. Reinicie os movimentos após reter os pulmões vazios por 2 tempos. Faça este exercício de respiração por cerca de 5 minutos.


2. Mantendo todo corpo relaxado, focalize sua atenção em seu braço direito. Dobre seu pulso, forçando ligeiramente sua mão direita para trás. Mantenha essa posição por uns dez segundos e sinta que os músculos de seu braço estão tensos. Em seguida, volte sua mão à posição original de repouso (relaxado). Respire profunda e calmamente e solte o ar lentamente, e relaxe-se enquanto solta o ar. Efetue a respiração por 3 vezes e repita o exercício.


3. Mantendo o seu corpo relaxado, respirando tranquilamente, dobre sua mão na altura do pulso para dentro, em direção a seu corpo e perceba a tensão em seu braço. Mantenha todo o seu corpo relaxado, tensionando somente seu braço direito. Pare de forçar e relaxe todo o seu braço. Respire calmamente por 3 vezes. Repita o exercício.


4. Ainda focalizando sua atenção no seu braço direito, feche sua mão direita mais ou menos fortemente, dobre seu braço em direção ao seu ombro, mantendo seus dedos voltados em direção ao seu corpo. Sinta a tensão que se forma em todo o braço direito. Procure manter todo o resto de seu corpo relaxado. Respire calmamente por 3 vezes e repita o exercício.


5. Repita os mesmos exercícios agora com o braço esquerdo e mantendo o restante do corpo o mais relaxado que você puder.


6. Focalize sua atenção em sua perna direita. Procurando manter todo o corpo relaxado, force as pontas de seus dedos de seu pé direito na superfície de apoio, levantando o calcanhar, forçando um pouco como se estivesse empurrando algo e perceba toda a tensão que se forma na parte frontal de sua perna. Volte à posição anterior (relaxada). Respire calmamente por 3 vezes e na medida em que solta o ar, relaxe cada vez mais.


7. Flexione o seu pé direito para trás, apoiando o calcanhar na superfície de apoio, forçando um pouco. Sinta a tensão que se forma em sua perna direita. Mantenha a posição por uns 10 segundos e volte seu pé à posição anterior (relaxada). Respire como fez anteriormente.


8. Mantendo todo o corpo relaxado, focalize sua atenção para a perna esquerda. Efetue de forma semelhante aos exercícios 6 e 7 com a perna esquerda.


9. Mantendo todo o corpo relaxado, force seus ombros em direção às orelhas, respirando tranquilamente, perceba toda a tensão em seus ombros. Volte à posição anterior (ombros relaxados), movimente os ombros efetuando movimento rotatório, e relaxe. Tente perceber a diferença. Respire tranquilamente.


10. Focalize sua atenção no seu rosto. Franza a testa como se estivesse preocupado (a). Mantenha essa posição por cerca de 10 segundos. Perceba a tensão que se forma em sua testa. Relaxe sua testa e sinta a diferença. Respire calmamente. Repita o exercício.


11. Cerre os dentes e faça movimentos de “mastigar”. Sinta a tensão que se forma no músculo da mastigação. Solte e relaxe. Respire calmamente como anteriormente.


12. Procure manter todo o seu corpo relaxado, respirando tranquilamente e sem nenhuma preocupação. Fique nesta posição por cerca de 2 minutos e sentindo todo o corpo relaxado. Encerrar o relaxamento gradativamente, respirando mais profundamente por 2 vezes, abrindo lentamente os olhos e se espreguiçando descontraidamente. Permaneça por mais alguns segundos com o corpo todo relaxado.


Nome: José Roberto Leite – psicólogo da Unifesp

Informações:

E-mail: jrleite@psicobio.epm.br

Nome: Paula Viana – neurologista responsável pela pesquisa sobre os efeitos da música no cérebro, realizada pelo Departamento de Neurologia da USP de Ribeirão Preto

Informações:

E-mail: pcviana2000@yahoo.com.br

Nome: Cia. Minaz de Música – coral de Ribeirão Preto

Informações:

Maestrina: Gisele Ganade

E-mail: cia.minaz@terra.com.br

Nome: Cícero Galli Coimbra – neurologista Unifesp

Informações:

E-mail: coimbracg.nexp@epm.br


Disponivel em:

http://globoreporter.globo.com/Globoreporter/0,19125,VVM0-2708-14904-3-0,00.html

Mistérios do Cérebro – Fim de um mito

MISTÉRIOS DO CÉREBRO

misterios do cerebro

 

 

Fim de um mito

Globo Reporter – 25/08/2006

disponivel em http://globoreporter.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-14904-3-239446,00.html

Avenida Paulista, esquina com a Rua Augusta. Não se engane com o endereço fácil. A corrida de táxi vai pegar o atalho de um cérebro privilegiado. São Paulo tem 128 mil ruas. Cada passageiro, um destino. Cada destino, um roteiro repleto de minúcias. Alguns segundos. É só o que o taxista João Pereira de Souza precisa para desvendar qualquer trajeto. Um detalhado mapa imaginário vai aparecendo na cabeça dele.

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Dar sentido a uma cidade é o que urbanista Lucídio Guimarães Albuquerque faz. Ordenar o desenho urbano, pôr letras e números numa seqüência lógica. Ajudar a planejar Brasília faz parte do trabalho de Lucídio.

“Arquitetura, urbanismo e planejamento regional sempre foram meus grandes interesses profissionais, desde jovem, quando entrei para a antiga Universidade do Brasil, em 1943. Eu não sei o vem a ser sossegar. Se é parar, isso eu não faço”, diz Lucídio.

Aos 85 anos, Lucídio estuda como nunca e trabalha como sempre. Arquiteto e consultor da Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal, percorre os núcleos rurais que ajudou a criar e acompanha a produção agrícola. Conhece todo mundo pelo nome.

“Eu tenho que me lembrar, de memória, de pessoas que moram aqui. Se falam comigo, eu tenho que lembrar e conversar com eles como naquele tempo em que tinham 20 anos, como o Hugo Bota e o Chico Carioca”, conta Lucídio.

João, 65 anos. Lucídio, 85. O que será que evitou o envelhecimento do cérebro deles e os manteve ativos e saudáveis? “Eu como o trivial: feijão com arroz, carninha de sol. E digo mais: mocotó uma vez por semana. Já falei isso para meu doutor cardiologista. Eu gosto porque são os sabores da minha infância. Era o que mais se comia na minha casa”, lembra Lucídio.

A ciência já estuda a relação entre os alimentos e o funcionamento do cérebro. Duas universidades gaúchas – a Federal do Rio Grande do Sul e a Unisinos – estão pesquisando juntas o quanto a nossa dieta pode ser capaz de fornecer nutrientes essenciais para melhorar a comunicação entre as células do cérebro. É o caso, por exemplo, do arroz com feijão. O prato típico do brasileiro ajuda a manter o cérebro funcionando bem. E ele precisa.

O cérebro tem menos de 5% da massa total do corpo, mas gasta 20% de todo o oxigênio que respiramos. Com tanto oxigênio concentrado num espaço tão pequeno, pode acontecer com o cérebro o que acontece com um pedaço de metal em contato com o ar: a oxidação. É como se ele enferrujasse.

Alguns alimentos combatem a oxidação. “Frutas e verduras são fundamentais – de cinco a sete porções diferentes por dia, de preferência, coloridas. Há um tempo, as cores dos alimentos estavam relacionadas com a beleza e a vontade de comer. Hoje se sabe que as cores têm pigmentos que são antioxidantes”, explica a nutricionista Denize Righetto Ziegler, da Unisinos e da UFRGS.

Tão importante quanto à alimentação é a postura diante da vida. Antes de sair da Bahia, ninguém acreditava em João.

“Eu era considerado o garotinho mais burrinho da cidade, porque eu não estudei. Quando se falava qualquer coisa sobre estudo, eu não sabia nada. Então, fiquei conhecido como o mais burrinho da cidade”, conta o taxista.

E o baiano do interior virou taxista em São Paulo. Aí, piorou. Ele conta que alguns passageiros ficavam indignados quando ele não sabia a localização de determinada rua. E quando descobriam de onde ele era, saíam-se com esta: “Também… Deixam baiano trabalhar na praça!”.

De orgulho ferido, o baiano João meteu o mapa da metrópole na cabeça: decorou 200 páginas do Guia da Grande São Paulo. Não há um único paulistano capaz de saber mais do que ele.

“A página 26 está já lá no fim, fazendo divisa com Itaquaquecetuba. É mais conhecida como Avenida Água Chata”, afirma João.

Ao enfrentar a humilhação, João estava, sem saber, ajudando o cérebro dele a funcionar melhor. A memória fantástica apareceu quando ele rejeitou uma atitude derrotista.

“O sofrimento envelhece o cérebro, bloqueia a produção de novas células nervosas que iriam substituir células perdidas e acelera a perda de células nervosas em regiões específicas do cérebro”, revela o neurologista Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A ciência sempre acreditou – e todos nós sempre aprendemos na escola – que as células do cérebro, ao contrário das outras células do nosso corpo, nunca se regeneram. Quando um neurônio morre, jamais nasce outro no lugar dele. Mas, de dez anos para cá, essa certeza científica foi dando lugar a evidências cada vez maiores de que as células nervosas podem, sim, construir novas pontes tapando os buracos provocados pelos neurônios mortos e religando a comunicação que estava interrompida.

Isso é feito pelas chamadas células precursoras, que podem viajar de uma região a outra do cérebro e substituir os neurônios mortos. Quando elas fazem isso, acontece a neurogênese, o nascimento de novos neurônios.

Tomar sol bem cedo ou no fim da tarde ajuda a pele produzir a vitamina D, fundamental para a neurogênese. Mas não é só. “É absolutamente importante a pessoa manter ao longo da vida inteira a alegria de viver, o entusiasmo pelo que faz, procurar enfrentar os problemas do dia-a-dia com serenidade”, aconselha doutor Galli.

Outro aliado da produção de novos neurônios é um ex-vilão inteiramente regenerado pela medicina: o ovo, com a clara bem durinha e a gema mole.

“Isso pode parecer contrário ao conceito tradicional, mas está absolutamente de acordo com os dados mais recentes que têm sido demonstrados na literatura médica. O ovo possui elementos, entre eles eu destaco o colesterol de alto peso molecular, o chamado colesterol bom, e a colina, que são nutrientes essenciais para a produção de novas células”, ressalta doutor Galli.

Botar o ovo no cardápio e apanhar um pouco de sol todo dia é barato e fácil. Mas e a outra pré-condição para favorecer o nascimento de neurônios: como lidar com o estresse?

João garante que não é estressado com trânsito. “O engarrafamento não tem jeito. Fazer o quê? Relaxar. Aí, o passageiro fica nervoso porque acha que eu não conheço o melhor caminho. Quando São Paulo pára, não temos por onde sair”, conforma-se o taxista.

Manter a calma num trânsito infernal é uma façanha que traz suas recompensas. Uma pesquisa da Rede Sarah mostra que o estresse exagerado afeta a memória.

“De repente, começaram a aparecer muitas pessoas, principalmente na faixa etária dos 45 aos 60 anos, dizendo que estavam ficando velhas porque estavam perdendo a memória”, conta a neurocientista Lucia Willadino Braga.

A pesquisa comparou o cérebro de dois grupos de pessoas. O primeiro tinha entre 45 e 60 anos. O segundo, como Lucídio, mais de 80 anos de idade. A pedido do Globo Repórter, Lucídio refez os testes da pesquisa.

Logo no primeiro teste, Lucídio mostrou a memória impecável. Para fazer o teste de memória visual em que ele tinha de lembrar de uma série de figuras, Lucídio entrou numa máquina de ressonância magnética. Enquanto isso, os pesquisadores monitoravam sua atividade cerebral.

Enquanto ele lembrava das figuras, os equipamentos identificavam que região do cérebro ele estava usando. Lucídio confirmou os resultados anteriores: na memória de curto prazo, o acerto foi de 96%, bem maior do que o das pessoas mais jovens que participaram da pesquisa.

“Depois nós fizemos o teste da memória visual, que são as figuras abstratas. Eu perguntei qual delas você tinha visto antes e, incrivelmente, você acertou 100%. Então, você está com o cérebro muito jovem, muito exercitado, o que mostra que durante a sua vida toda você manteve o cérebro funcionando”, anunciou Lucia.

O exame revelou também a estratégia usada por Lucídio para se lembrar das figuras. Ele ativou uma parte do cérebro acima dos olhos, perto da testa, uma área relacionada com o planejamento.

Culto e sofisticado, Lucídio foi buscar na obra de um pintor do século 16 uma maneira de fixar na memória, por associação, uma das figuras do teste. “Uma delas eu associei àquelas imagens fantásticas de El Greco”, contou o urbanista.

A pesquisa do Hospital Sarah de Brasília concluiu que o grupo mais jovem estava tendo falhas na memória por causa do estresse e que o grupo mais velho manteve a memória intacta porque nunca deixou de exercitar o cérebro.

“A gente viu que nesse grupo entre 45 e 60 anos, as pessoas estavam estressadas. Elas estavam tomando remédio para dormir, fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Então, elas não tinham um problema de memória e sim um problema de estruturação da vida”, esclarece a neurocientista.

“Eu sei que me dediquei bastante até hoje. A partir do dia em que o homem achar que sabe tudo, ele estará perdido”, diz João.

“Trabalhar é importante. Levantar cedo também. Passarinho madrugador é que come minhoca. Na roça, achamos que era importante sair com o nascer do sol”, finaliza Lucídio.

disponivel em

http://globoreporter.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-14904-3-239446,00.html

O remédio da serenidade

O remédio da serenidade

Médicos descobrem que controlar o stress e as emoções é essencial para tratar o Mal de Parkinson.

19/06/08

serenidade







A vida de dona Afra Maria de Albuquerque mudou quando o filho dela se separou. A nora foi morar nos Estados Unidos e levou junto o seu neto. “A saída do meu neto foi uma coisa que veio e me pegou muito forte. Eu não tinha mais vontade de fazer nada, só queria ficar deitada”, lembra a costureira.


Alguns anos depois, dona Afra ficou doente, com Mal de Parkinson. Para os médicos, a doença pode ser causa e conseqüência de um grande trauma. Nos últimos anos, pesquisas vêm comprovando que stress, depressão, ansiedade e medo estão diretamente relacionados ao aparecimento do Mal de Parkinson.

Esse estado emocional, segundo as pesquisas, leva o organismo a produzir substâncias tóxicas, que destroem as células nervosas e dificultam o nascimento de novas células. Isso acontece numa parte do cérebro que facilita os movimentos, e por isso o doente passa a sofrer de rigidez no corpo, tremores, e pode ter dificuldade para se equilibrar, andar e falar.

Cícero Galli Coimbra, neurologista da Universidade Federal de São Paulo, explica que a doença está associada a uma predisposição genética, mas que mudar o comportamento pode ser decisivo pra evitá-la ou tratá-la. “É fundamental que essa pessoa aprenda modificar a sua reatividade emocional, a se reeducar emocionalmente, procurando a se transformar numa pessoa serena, tranqüila, se possível até numa pessoa feliz”, afirma ele. “E é fundamental que essa pessoa não tema a doença, porque o medo da doença provoca sofrimento”.

Dona Afra aderiu à mudança de atitude. Além de tomar remédios, ela decidiu ajudar as crianças de uma creche: passou a costurar para elas, e a sorrir. A doença regrediu. “Quando vem a primavera eu começo os vestidos, aqueles vestidinhos enfeitadinhos, cheio de fitas, rendinhas. É tanta coisa bonita…”, ela conta, alegre. E aconselha: “O paciente tem que ter auto-estima e estar sempre firme”.


disponivel em

5 FORMAS DE PROTEGER SEU CÉREBRO

5 FORMAS DE PROTEGER SEU CÉREBRO


Dr. Cicero Galli Coimbra, M.D., Ph.D.
Laboratory for Brain Ischemia Research, Head Department of Neurology and Neurosurgery Federal University of São Paulo.
Escola Paulista de Medcina

 

Revista Viva Saúde
http://revistavivasaude.uol.com.br/edicoes/23/artigo15542-1.asp


Manter a saúde mental é mais fácil do que muita gente imagina. As pesquisas dos últimos 10 anos apontam ser possível, sim, estimular a formação de novos neurônios (o que até 1998 a ciência considerava impossível!) e, conseqüentemente, afastar os riscos de doenças como Parkinson e mal de Alzheimer. Saiba como:

POR DANIELA TALAMONI

FOTOS FERNANDO GARDINALI

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O que fazer para manter o corpinho em forma e poupar as articulações, as artérias, o fígado, os pulmões, o coração e tantos outros órgãos e sistemas vitais todo mundo está cansado de saber: atividade física regular, alimentação leve e balanceada, abandono de vícios e exames preventivos anuais. Agora, o desafio da ciência é desvendar os mistérios que ainda envolvem a complexa estrutura cerebral para encontrar saídas que também ajudem a conter ao máximo a morte natural dos neurônios e a preservar a saúde mental.


Essa preocupação faz sentido. Muitas pessoas passam a vida tentando conciliar uma rotina de trabalho estressante com aulas de ginástica, avaliações e consultas médicas, almoço e jantar saudáveis, algumas horas de lazer… E até conseguem, mas, quando finalmente conquistam o bem-estar físico, é a cabeça que começa a falhar, especialmente após os 60 anos.

 


Segundo relatório publicado pela revista científica inglesa The Lancet, um novo caso de demência surge a cada sete segundos no mundo (o que inclui entre outros distúrbios progressivos e degenerativos do cérebro o mal de Alzheimer) – são quase 5 milhões de novas vítimas ao ano. E estima-se que esses números possam quadruplicar[/b, chegando a um total de 81 milhões de pessoas nas próximas três décadas.


Para piorar, soma-se a essa triste estatística o fato de neurocientistas e pesquisadores sempre terem alertado para a fragilidade das células nervosas cerebrais. Até mesmo nós, simples mortais, aprendemos que os neurônios vão morrendo com o passar dos anos e, uma vez danificados, não podem se regenerar. Resultado: a nossa única esperança de manter a lucidez na terceira idade seria mesmo continuar cuidando da saúde geral e fortalecendo as conexões (a comunicação entre as células nervosas do cérebro) para tentar ao menos adiar as conseqüências das perdas neuronais – uma vez que é impossível evitá-las.


A boa nova é que em 1998 uma notícia abalou o mundo da neurociência e, apesar de ainda causar controvérsias, sugere um futuro menos sombrio para a humanidade. Naquele ano, uma pesquisa publicada na revista Nature Medicine comprovava uma desconfiança que surgiu na década de 60 com os estudos realizados com ratos pela equipe do neurocientista norte-americano Fred Gage – e para a qual pouca gente deu importância na época -, a de que novos neurônios são produzidos diariamente no cérebro humano.

 

 


O fenômeno, que ficou conhecido como neurogênese, logo atraiu o interesse da comunidade científica que passou a acompanhar de perto todos os detalhes das descobertas.


Espécies de células-tronco localizadas ao redor dos ventrículos (as cavidades internas do cérebro por onde deságua o líquido encefalorraquidiano que vem da medula espinhal) são capazes de dar origem aos neurônios e todas as células do Sistema Nervoso Central (SNC). Chamadas de precursoras, essas ‘células-mãe’ se multiplicam toda vez que há perda de neurônio. As células nervosas ‘recém-nascidas’, então, migram para suprir a região onde houve o dano e restabelecer o circuito nervoso por ali. Muitos desses ‘bebês’, porém, não conseguem chegar até o seu destino e morrem pelo caminho – é a apoptose, um acidente de percurso cujo risco de ocorrer aumenta 90% à medida que o indivíduo envelhece.

 

Segundo o neurologista Cícero Galli Coimbra, professor e pesquisador do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), depois desses achados, cientistas de todo o mundo passaram a se empenhar na identificação dos fatores que, ao longo dos anos, podem estimular ou impedir tanto a multiplicação e o nascimento das células nervosas do cérebro quanto a apoptose.


“Agora, este será o melhor caminho para descobrir tratamentos mais eficazes e até a prevenção de doenças relacionadas às falhas e perdas de neurônios, como os males de Parkinson e Alzheimer”, acredita.


Para provar isso, o médico fez um levantamento de todos os estudos relacionados ao assunto e publicado em revistas científicas especializadas desde 98 e revelou para Viva Saúde pelo menos cinco atitudes que, comprovadamente, contribuem para equilibrar a perda e o nascimento de células nervosas e, conseqüentemente, preservar o nosso cérebro intacto por mais tempo.

 

 


Segundo o especialista, quem estiver falhando em algum dos fatores relacionados à neurogênese a seguir tem muito mais chance de desenvolver doenças neurodegenerativas no futuro, mesmo que não apresente nenhuma predisposição genética.


Confira:

 


1 FUJA DO ESTRESSE CRÔNICO


As pesquisas da década de 60 desenvolvidas pela equipe do neurocientista Fred Gage com ratos adultos já sugeriam uma possível influência do estilo de vida na saúde dos neurônios. Em animais criados em gaiolas cheias de brinquedos para explorar, observou-se um aumento de novas células nervosas no hipocampo (a área responsável pela capacidade de memorizar e aprender). Enquanto que naqueles ratinhos submetidos a estresse constante, uma condição desfavorável ao aprendizado, essa produção diminuiu significativamente.


“Hoje, já se sabe que as tensões diárias, a angústia e a preocupação antecipada – sensações comuns no dia-a-dia do homem moderno – são capazes de afetar também o cérebro do ser humano. Esse estresse crônico bloqueia a neurogênese no início, impedindo que as células precursoras se multipliquem”, explica o neurologista Cícero Galli, da Unifesp.

 

 


Vários estudos já comprovaram que, nestas condições, o cérebro só perde neurônios e não os repõe. O próprio médico, que já avaliou mais de 600 portadores de mal de Parkinson desde 2002, foi um dos pesquisadores a demonstrar isso. Em junho do ano passado, durante um congresso sobre a doença na Alemanha, ele apresentou resultados que indicavam o estresse como um dos principais responsáveis pela destruição das células nervosas produtoras da dopamina, matéria química que, entre outras funções, tem papel fundamental na manutenção das atividades motoras. Essa deficiência dificulta os movimentos, provoca rigidez muscular e causa os tremores em quem desenvolve esse distúrbio neurológico crônico e progressivo.

 


“Não há dúvidas de que a tensão emocional está envolvida em 95% dos casos de mal de Parkinson, que são exatamente aqueles que não têm uma causa genética. Sempre descubro um trauma por trás do problema. Uma das minhas pacientes, por exemplo, começou a manifestar os sintomas da doença algumas horas depois de presenciar a morte do marido em um assalto no trânsito”, conta o neurologista.


Além disso, aqueles que são tratados com a ajuda de psicoterapia têm apresentado excelentes resultados.


“Os que recebem instruções para relaxar e encarar a vida de forma mais simples e descontraída, em casos mais leves, podem deixar de apresentar os sintomas. Enquanto aqueles que se encontram em estágios finais da enfermidade, há ao menos uma melhora do quadro, com o desaparecimento de problemas urinários, bem como dos pesadelos e dificuldades de raciocínio – comuns nessa fase”, explica.


 

 


2 INCLUA GEMA DE OVO NO CARDÁPIO


Depois da absolvição pela condenação injusta que o colocava como principal responsável por elevar as taxas de colesterol no sangue, o ovo ganha mais um motivo para ser consagrado como uma opção do bem e, agora, indispensável no prato. O fato é que a gema (e não a clara, é bom lembrar), mais do que qualquer outro alimento, oferece uma grande concentração de colina – uma substância que, agora se sabe, reveste a membrana das células (incluindo as células nervosas do cérebro) e que não é produzida pelo organismo.


 

“A presença dela é muito importante para a formação de novas células, incluindo as células nervosas cerebrais do adulto. Quanto mais colina no organismo, mais material para a formação da membrana celular”, explica o neurologista da Unifesp.


Mas não é só. Ela, colina, também forma acetilcolina, um neurotransmissor relacionado às funções de aprendizado e memória, e teria um papel importante na gravidez e no desenvolvimento do cérebro do feto. Os pediatras ainda não recomendam uma suplementação da colina durante a gestação, mas a importância dessa substância para o bebê foi sugerida em 1997, a partir dos resultados de estudos realizados pelo pesquisador Steven Zeisel, da Universidade da Carolina do Norte, dos Estados Unidos, com ratas de laboratório prenhas.

 

 

“Aquelas que recebiam suplemento de colina durante a gestação estimulavam muito mais o crescimento das células nervosas nos ratinhos.

Quando estes nasciam, eram testados em um labirinto e demonstravam muito mais agilidade para aprender o caminho e encontrar a saída do que aqueles nascidos de ratas que não haviam sido submetidas à suplementação”, conta Cícero Galli.

 


A importância dessa e de outras descobertas sobre as funções da colina tem sido tão grande que o governo norte-americano providenciou em 2004 a divulgação de um banco de dados (o USDA Database for the Choline Content of Common Foods) para verificar a presença da substância nos alimentos. Com a ajuda dele, é possível saber por exemplo que a colina também está presente em boas quantidades no fígado de boi e de frango, no gérmen de trigo e na soja. E que cinco gemas de ovo somam 682,4 mg de colina, enquanto só a clara equivale a 1,1 mg e 1 litro de leite a apenas 14 mg da substância.

 

“Vale lembrar que para oferecer todos os benefícios para o cérebro precisaríamos de pelo menos 500 mg de colina por dia, o que pode ser obtido com uma cardápio variado”, alerta o neurologista.


 

 

 

3 TOME SOL NA MEDIDA CERTA


Quem, afinal, em uma metrópole como São Paulo, não costuma sair de carro para trabalhar, estacionar no prédio onde fica a empresa, permanecer o dia inteiro trancafiado em um escritório com janelas escuras e anti-ruídos e voltar para casa ao anoitecer sem ver a cara do astro-rei ou perceber se a temperatura lá fora mudou?


É isso mesmo… A vida moderna nos transformou em ratos de esgoto ou de laboratório (como preferir), pelo menos no que diz respeito ao contato saudável com o sol. A conclusão foi do bioquímico Reinhold Vieth, da Universidade de Toronto, no Canadá. Ele avaliou os níveis de vitamina D (que para ser assimilada pelo organismo precisa da ajuda dos raios solares) em animais e comparou aos níveis encontrados no homem moderno. Foi então que percebeu a queda dessa vitamina.


E em que isso prejudica o cérebro?

 

“Além de ser essencial para a formação óssea, ela estimula a produção de NGF (fator de crescimento dos neurônios)”,

esclarece Cícero Galli Coimbra.


Descrita em 1956, a NGF é uma proteína essencial para a sobrevivência e fortalecimento das células nervosas cerebrais, por ser capaz de enviar sinais contínuos para que um neurônio dirija suas terminações na direção de outro e forme uma sinapse (aproximação entre os neurônios, onde ocorrem várias reações químicas que ainda estão sendo estudadas). Quanto mais numerosas e fortes forem essas conexões (sinapses), menos ocorrências de apoptose e mais eficientes as capacidades cognitivas, como a memória.

 

 

 

4 TAURINA NA MEDIDA CERTA


Aminoácido de maior concentração nas células do corpo, a taurina tem a função de impedir a formação de coágulos no sangue, diminuir a quantidade de triglicérides (gordura) no sangue, fortalecer o endotélio (a camada de revestimento dos vasos sangüíneos e, agora se sabe, bloquear a apoptose (a morte dos novos neurônios).


O problema é que o organismo produz naturalmente esta substância, mas sua quantidade diminui bastante com o passar do tempo. Não é à toa que, segundo o neurologista Cícero Galli, alguns geriatras têm recomendado a seus pacientes com mais de 60 anos fórmulas para repor essa substância no organismo, embora isso ainda seja questionável. “Ainda não se sabe qual o mecanismo que envolve a taurina com a neurogênese, nem mesmo a quantidade necessária para cada pessoa”, alerta.

 

 

 

 

5 EVITE O CONSUMO DE ÁLCOOL

 

Não é difícil imaginar por que bebidas alcoólicas e outras drogas podem afetar o cérebro. Essas drogas costumam afetar em cheio o Sistema Nervoso Central, provocando uma mudança no comportamento ao serem ingeridas. Quem bebe além da conta, por exemplo, pode ter tonturas, falta de coordenação motora, confusão mental, desorientação e até anestesia momentânea.


usuários de maconha apresentam alteração nos sentidos (visão, audição, olfato e tato), na cognição (pensamentos, memória e atenção) e até no humor.


 

“As células nervosas cerebrais, apesar de complexas, são extremamente frágeis e sensíveis. E, além de estimular a morte de neurônios, o uso dessas substâncias pode bloquear a formação de novos”, afirma o neurologista da Unifesp, Cícero Galli.


Vale lembrar que mesmo aqueles que dizem beber socialmente podem estar arriscando a sua saúde mental no futuro. De acordo com o especialista, ainda não se sabe qual a quantidade de álcool, por exemplo, já é capaz de interromper a neurogênese, até porque a sensibilidade do organismo varia de pessoa para pessoa.


 

COMO A NEUROGÊNESE FOI DESCOBERTA


 

Na década de 60, Fred Gage e sua equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA), em experiências com canários machos adultos, notaram que toda vez que os pássaros cantavam havia proliferação de novos neurônios. Até então, a ciência acreditava que as células nervosas cerebrais não podiam nascer em cérebros adultos – no máximo, conseguiam amadurecer ou fortalecer suas conexões.

 

Para verificar a presença dos neurônios recém-nascidos, porém, não bastava um microscópio potente. Todos os neurônios são iguais e transparentes, e só com a ajuda desse equipamento não haveria como saber quais eram os novos habitantes do cérebro.

 


Nesse sentido, a tecnologia foi permitindo o uso de técnicas mais eficientes e que possibilitaram a realização de testes mais precisos a partir da década de 90 em ratos, sagüis e outros primatas adultos. A técnica utilizada para comprovar a neurogênese tinha como princípio deixar uma marca visível em todo o neurônio que nascia. Para isso, os cientistas lançaram mão de um marcador celular, a substância BrDu (bromodesoxiuridina), que tem a propriedade de ser captada pelas células que estão se reproduzindo no organismo. O BrDu fica colorido após reação química e pode ser destacado e visualizado por microscópio. Assim, ficaria comprovado o nascimento de neurônios. Mas como fazer essa experiência com humanos?

 


O BrDU é tóxico e seria necessário remover o cérebro para procurar com o microscópio os neurônios marcados. Ou seja, seria necessário conseguir doadores e aguardar sua morte. Mas em 1998 pesquisadores suecos tiveram uma grande chance. Como o BrDu estava sendo usado em pacientes terminais com câncer, para verificar a multiplicação de células cancerígenas e a existência de metástase, os cientistas explicaram a importância do experimento às famílias de cinco pacientes e obtiveram a permissão para remover o seus cérebros após a morte para analisar a região do hipocampo. Os resultados, finalmente, comprovaram a neurogênese e foram publicados na revista científica Nature.

 


5 FORMAS DE PROTEGER SEU CÉREBRO
Viva Saúde
http://revistavivasaude.uol.com.br/edicoes/23/artigo15542-1.asp

 

Resultados fantasticos contra o Parkinson

Resultados fantasticos contra o Parkinson

 

Revista SAÚDE é vital – Edição agosto 2003, pág. 38

Um estudo inédito, que bane a carne vermelha e valorizaa vitamina B2, é mais uma esperança para as vítimas da doença que compromete os movimentos do corpo

por Regina Pereira

Há cerca de oito meses, o advogado baiano Ermiro Santos, 62 anos, endireitou sua postura e voltou a caminhar ligeiro, quase com a mesma desenvoltura de seis anos atrás, quando surgiram os primeiros sintomas do mal de Parkinson. Ele é um dos 150 portadores da doença que já notam melhoras após submeter-se a um tratamento promissor, que consiste na eliminação da carne vermelha e na ingestão de cápsulas de vitamina B2 — medidas paralelas à medicação apropriada. “Voltei a dirigir e isso me deixa muito animado”, conta. Os primeiros resultados desse estudo, conduzido por Cícero Galli Coimbra, neurologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foram mostrados em um congresso internacional que aconteceu na Espanha, em maio último.

 

“No inído do trabalho, eu e minha equipe medimos níveis de nutrientes em nossos pacientes e observamos que 100% deles apresentavam problemas de absorção da vitamina B2, fundamental para a eliminação de moléculas nodvas aos neurônios”, relata Coimbra.

 

Sem a proteção desse nutriente, um inocente churrasquinho pode provocar degeneração celular (veja no infográfico ao lado). Isso porque, segundo o neurologista, a carne vermelha libera substâncias que teriam o poder de destruir algumas células do sistema nervoso central.  “Quando as toxinas atingem a região do cérebro que produz a dopamina, esse neurotransmissor deixa de conduzir as correntes nervosas de uma célula para outra como deveria, prejudicando as funções motoras”, explica.   O neurologista atribui a diminuição dos tremores e a melhora da locomoção de seus pacientes à vitamina B2, que supriu a carência orgânica.   Só falta descobrir o que provoca essa boa evolução — seria a multiplicação dos neurônios ou a recuperação daqueles que foram danificados?

 

Embora os resultados sejam animadores, outros especialistas são cautelosos na hora de opinar. “Numa primeira análise, os procedimentos adotados não me parecem danosos, mas ainda é cedo para conclusões definitivas”, observa o neurologista Carlos Eduardo Altieri, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O próprio Coimbra, aliás, adverte sobre o perigo de altas doses de B2. “Em excesso, ela pode sobrecarregar os rins.”

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Conheça no site http://www.revistasaude.com.br
uma pesquisa americana que mostra a
relação do ferro com o Parkinson.

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Vídeo do Jornal Nacional sobre esse assunto encontra-se nos endereços abaixo.

http://jornalnacional.globo.com/semana.jsp?id=27333&mais=1

 

http://pop.gmc.globo.com/webmedia/windows.asx?usuario=tvgjornalismoaberto&tipo=ondemand&path=/video/jn/20030610/mat07_high.wmv&ext.asx

No Jornal da UNIFESP:

http://www.unifesp.br/comunicacao/jpta/ed179/pesquisa4.htm

 

 

Mudar a alimentação pode ser um caminho para regressão do Parkinson

A cura para a doença recebe pesquisa em todo o mundo com as mais avançadas técnicas da medicina, como terapias genéticas, implantes cerebrais e experiências homicidas com transplantes de células-tronco de embriões humanos, mas o tratamento notícia em 2003 na mídia científica, obtém resultado eficaz. A terapia é simples, tem baixo custo, não é invasiva e não usa de alternativas homicidas. Por tudo isso já devia estar ao alcance de todos há tempos. E a saúde pública do Brasil nada faz.

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Mudar a alimentação pode ser um caminho para regressão do Parkinson

Uma nova terapia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenados pelo professor Cícero Galli Coimbra, promete parar o avanço – e até regredir – a doença de Parkinson. A base do tratamento é a mudança na alimentação: retirar a carne vermelha (bovina e de porco) e repor a vitamina B2 (riboflavina). O mal de Parkinson afeta o sistema nervoso central e provoca, principalmente, tremores, rigidez nos músculos e dificuldades de movimentos. É possível, também, que a doença cause problemas na memória, depressão e alterações no sono.

Os pesquisadores, estimulados pela busca de padrões de falta de vitaminas entre pacientes com Alzheimer e Parkinson, constataram que esses últimos possuíam baixas concentrações da vitamina B2. “Passamos a investigar a dieta para verificar se não havia ingestão deficiente de boas fontes de B2. As fontes alimentares de B2 encontradas eram boas, o que indica uma absorção deficiente”, diz Coimbra.

As respostas aos questionários sobre alimentação demonstraram, ainda, que os pacientes tinham uma predileção pela carne vermelha, ingerindo três vezes mais carne que o grupo utilizado como controle. “Revisando-se a literatura, verificamos que a carne vermelha libera, durante a digestão, a substância hemina, que possui propriedades tóxicas, porque penetra as membranas celulares carregando ferro para o interior das células, onde este eleva a produção de radicais livres. Para evitar tal efeito, a hemina é destruída, em sua maior parte, na própria célula intestinal (e o restante, no fígado), utilizando a vitamina B2. Tornou-se claro, então, que o indivíduo absorve a hemina, não tendo então a B2 para destruí-la. Assim, solicitamos a parada completa da ingestão de carne“. Coimbra acrescenta que o tratamento tradicional contra a doença, à base de medicamentos, deve ser concomitante à dieta proposta pelos pesquisadores.

Algumas correntes da medicina têm restrições sérias à ingestão de carne vermelha, mas Coimbra diz que a restrição do tratamento desenvolvido pela sua equipe “não é filosófica, apesar de que possa reforçar essas correntes, o que me parece adequado pelos benefícios à saúde”.

A cura para a doença vem sendo pesquisada em todo o mundo com as mais avançadas técnicas da medicina atual, como terapias genéticas e implantes cerebrais, mas o tratamento, segundo essa pesquisa, parece ser mais simples do que isso: é mais barato, não é invasivo e, principalmente, é eficaz e está ao alcance de todos. Para Coimbra, esse tratamento, pela primeira vez, está “combatendo a origem da doença, e não os seus efeitos”. Mas necessita de mudanças mais profundas no estilo de vida das pessoas, visto que a retirada de alguns alimentos do dia-a-dia é apenas um dos aspectos para uma vida mais saudável.

Para Luiz Meira, médico de família de Campinas, é preciso cuidar, também, da qualidade dos alimentos ingeridos e de procurar um equilíbrio na ingestão de proteínas, sais, gorduras e carboidratos. A diminuição da carne vermelha na dieta traz, para Meira, dois benefícios principais: diminuir o contato com a carne suína que, para ele, pode produzir a reações alérgicas profundas; e com substâncias presentes no manejo da carne bovina, como agrotóxicos das forragens, hormônios, antibióticos e quimioterápicos, que acabam passando ao alimento.

Privilegiar as sementes e frutos sem aditivos químicos ou modificações genéticas e diminuir as gorduras (animal e vegetal) são algumas das outras indicações de Meira. Além disso, precisamos de cuidados intensos para a não contaminação por metais pesados como, por exemplo, o alumínio liberado de panelas. Contra isso, Meira sugere a utilização de panelas de vidro no preparo dos alimentos. Mudanças que parecem simples e que tornam, rapidamente, a vida mais saudável.

Atualizado em 06/06/03

http://www.comciencia.br
contato@comciencia.br

SBPC/Labjor – Brasil

Disponível em

http://www.comciencia.br/noticias/2003/06jun03/parkinson.htm

Dieta livre de carne e rica em vitamina B2 pode regredir Parkinson

Dieta livre de carne e rica em vitamina B2 pode regredir Parkinson

Jornal da Paulista

Comunicação

Ano 16 – N° 179
Maio de 2003

Disponível em

http://www.unifesp.br/comunicacao/jpta/ed179/pesquisa4.htm

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Dieta livre de carne e rica em vitamina B2 pode regredir Parkinson


Estudo revela que portadores da doença apresentam deficiência da vitamina e ingerem muita carne vermelha; nova dieta fez com que a recuperação média motora dos pacientes saltasse de 44% para 70% em apenas três meses de tratamento


Ana Cristina Cocolo

 
A bengala fica no armįrio
Com trźs meses de tratamento, a pintora Delphina Madalena Santos, que sofre do mal de Parkinson hį dez anos, deixou de apresentar as alteraēões de equilķbrio responsįveis por vįrias de suas quedas em casa. A bengala que a acompanhava jį estį bem guardada no armįrio

Incluir vitamina B2 e tirar carne vermelha. Essas duas pequenas alterações na dieta de portadores da doença de Parkinson estão trazendo grandes benefícios para um grupo de 31 pessoas que participa de um estudo realizado por Cícero Galli Coimbra, neurologista e professor livre-docente de Neurologia Experimental da Unifesp. Os pacientes, a maioria em tratamento no Hospital do Servidor Público Municipal, estão verificando não apenas a estagnação da doença como também sua regressão. Os dados preliminares da pesquisa foram apresentados no 6º Congresso Internacional sobre doença de Alzheimer e Parkinson, realizado em Sevilha, Espanha, no começo de maio.

Com apenas três meses de tratamento e dieta, a recuperação média da função motora dos pacientes passou de 44% para 70%. “Os melhores resultados são encontrados nos pacientes que estão nas fases iniciais da doença”, explica Coimbra. “Entretanto, existem casos de pessoas que se tratam há muito tempo e que tiveram uma melhora na função motora de 15% para 90% após a intervenção.” Um dos casos descritos por Coimbra é o da professora Cirlei Favaro, de 66 anos. Portadora de Parkinson há quase dez anos, ela precisava de auxílio para se levantar e reclamava da falta de equilíbrio mesmo com a ingestão dos remédios. Seus sintomas antes de iniciar o tratamento, em setembro de 2002, eram característicos da fase 4 do problema (leia box).

A bengala fica no armário

Sete meses depois da administração da vitamina e de ter eliminado a carne vermelha (de vaca e de porco) e derivados (frios e miúdos) do cardápio, Cirlei comemora: os sintomas regrediram, permitindo que ela voltasse a dirigir e a andar a pé nas ruas sem medo de cair. Hoje, suas características se assemelham às de pacientes que estão na fase 1 da doença. “Agora, tenho aversão ao alimento que mais consumi na vida: a carne vermelha.”

O alívio também foi grande para a dona-de-casa Nirce Alves dos Santos, 66, que teve a confirmação do diagnóstico há apenas dois anos. Antes de iniciar a reposição da vitamina B2, há seis meses, consumia carne vermelha pelo menos quatro vezes por semana e seus sintomas a colocavam na fase 2 da doença. Atualmente, ela está livre não só desses sintomas como também da medicação indicada a portadores de Parkinson. “Minha única preocupação agora é tomar a vitamina na hora certa.”

Gordura animal e carne X Sistema motor

Conheça os limites impostos por cada fase da doença

A doença de Parkinson é uma alteração do sistema nervoso central que afeta principalmente o sistema motor, provocando tremores, rigidez muscular e alterações posturais.

Outras manifestações não-motoras também podem ocorrer como o comprometimento de memória, a depressão e alterações do sono.

O neurologista João Carlos Papaterra Limongi, do Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, explica que apenas 5% dos portadores da doença apresentam forte componente hereditário.

Outros 75% dos casos ainda desafiam a ciência a descobrir a causa. A porcentagem restante, segundo ele, é classificada por parkinsonismo secundário, no qual é possível identificar uma causa medicamentosa, tóxica, infecciosa ou traumática para o desenvolvimento da doença.

Conheça as fases do Parkinson e as limitações impostas em cada uma delas.

Fase 1 – O indivíduo tem apenas um lado do corpo afetado por tremores, rigidez ou ambos os sintomas

Fase 2 – Os mesmos sintomas afetam os dois lados do corpo

Fase 3 – Além dos sintomas da fase 2,
o indivíduo tem o equilíbrio afetado. Geralmente adquire uma postura encurvada e tem extrema dificuldade para mudar de direção rapidamente ou dar passos para trás sem perder o equilíbrio

Fase 4 – A rigidez já o impede de fazer
a higiene pessoal, precisando de auxílio até mesmo para se alimentar

Fase 5 – Ele não consegue se levantar da cama ou da cadeira sem ajuda. Consegue andar mas, muitas vezes, com o apoio de alguém ou de
uma bengala

As informações presentes até hoje na literatura médica apontam o consumo de gordura animal como um dos fatores de risco para a doença. Mas na opinião de Cláudio Fernandes Corrêa, neurocirurgião e chefe do Centro de Tratamento dos Movimentos Involuntários do Hospital 9 de Julho (Cetrami), essa informação é questionável, já que nenhum estudo conseguiu comprovar o malefício do consumo de gordura animal (e sua participação no desenvolvimento do Parkinson). O que existem são trabalhos que indicam que a ingestão de carne está ligada diretamente à produção de neurotoxinas.

Foi justamente esse o caminho que Coimbra seguiu em seus estudos. Associou a informação já conhecida sobre os efeitos nocivos da carne vermelha à falta de vitamina B2, causada pela má absorção do organismo, fatores que, em sua opinião, podem estar associados ao desenvolvimento da doença.

O neurologista afirma que, no início, a idéia da pesquisa era verificar se pacientes com Alzheimer e Parkinson apresentavam, além do aumento característico da homocisteína – substância tóxica apontada como participante do processo neurodegenerativo –, o mesmo grau de deficiência de determinadas vitaminas. “Queríamos saber se haveria um padrão de deficiência vitamínica próprio de cada doença.”

Para dosar essas substâncias, Coimbra coletou amostras de sangue de dez pacientes com Alzheimer e de outros 31 com Parkinson. Com a colaboração da bioquímica Virgínia Berlanga Junqueira, chefe do laboratório do Centro de Estudos do Envelhecimento da disciplina de Geriatria da Unifesp, ele verificou que as diferenças encontradas entre os dois grupos, relativas aos níveis de vitaminas B6, B12 e ácido fólico, não foram estatisticamente significantes. Porém, quando foram analisados os da vitamina B2, os portadores de Alzheimer, em geral, apresentaram concentrações normais, enquanto todos os portadores de Parkinson apresentaram níveis considerados abaixo da normalidade.

A partir daí, o neurologista passou a analisar se a dieta dos pacientes não incluía a quantidade suficiente dessa vitamina, encontrada principalmente no leite. “Para minha surpresa, a ingestão era boa. Mas percebemos que o consumo de carne vermelha entre esses pacientes era alto.”

De acordo com Coimbra, já é do conhecimento médico que a carne vermelha produz uma substância chamada hemina, extremamente tóxica para as células do organismo, originando a produção de radicais livres. “Para serem eliminados, esses radicais livres precisam de uma substância chamada glutationa que, após utilizada, só pode ser recuperada com vitamina B2”, diz Coimbra. “A falta da glutationa é a primeira alteração neuroquímica presente nas células cerebrais que estão degenerando com a doença de Parkinson.”

Com a reposição da vitamina, o pesquisador esperava que a doença parasse de progredir. Mas o resultado foi melhor: ela está regredindo. O neurologista ainda não sabe explicar se esse fenômeno se deve à neurogênese (processo que leva à formação do sistema nervoso) ou à recuperação de células que não funcionavam mas encontravam-se ainda vivas na substância negra do encéfalo, principal região afetada pelo processo neurodegenerativo.

“De qualquer forma, o nível de recuperação alcançado em tão pouco tempo é surpreendente, pois estima-se que cerca de 60% das células dessa região já foram perdidas quando surgem os primeiros sintomas.”

Coimbra acredita que a falta de vitamina B2 no organismo desses pacientes pode ser decorrente de um problema que atinge 15% da população: o mau funcionamento de uma enzima chamada flavoquinase, responsável pela absorção da vitamina.

Tabela
Arte Andrea Melo

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